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segunda-feira, 24 de abril de 2017

TAPAS É SER MAIS FORTE QUE AS PRÓPRIAS FRAQUEZAS - Pedro Kupfer

Este título nos lembra o propósito dessa prática, por vezes mal compreendida, que é o tapas. Tapas é uma palavra sânscrita que deriva detap, que significa “tornar-se ardente”. O termo usado para dizer chama ou brilho, tejas, vem da mesma raiz. Ou seja: na palavra tapas temos embutida as ideias de luz, calor, fogo ou radiância, símbolos que nos lembram a importância da motivação ao realizar quaisquer ações.
Tapas é o terceiro preceito de conduta dos niyamas, o segundo grupo de recomendações dadas pelo sábio Patañjali no Yoga Sutra. Embora possamos de fato traduzir tapas corretamente como disciplina ou austeridade, uma tradução mais exata seria “esforço sobre si mesmo”.
Yoga é um dos caminhos que complementam o autoconhecimento, no processo que conduz à liberdade, moksha. Sendo este um caminho essencialmente prático, muito facilmente tendemos a pensar que devemos seguir regras para realizá-lo. Como uma dessas “regras”, evidentemente seria fazer tapas, podemos cair na armadilha de achar que devemos nos forçar na prática até que as coisas comecem a fluir de maneira mais fácil e espontânea.
 O método.
Embora um esforço seja realmente necessário ao praticar (assim como para realizar qualquer outra ação), devemos aplicar o bom-senso para compreender exatamente o que significa fazer tapas. O curioso é que praticar tapas tem menos a ver com seguir regras e mais a ver com descobrir em si mesmo a real motivação para praticar. Pessoalmente, não gosto da palavra disciplina. Disciplina me lembra regras a serem seguidas mecanicamente e, muitas vezes, contra a própria vontade.
Tapas é perceber as limitações provocadas por crenças ou hábitos mecânicos – as tais “fraquezas” mencionadas no título, e ser capaz de crescer através delas. No entanto, ao invés de olhar para essas limitações como um monstro de sete cabeças, posso ver a possibilidade do crescimento como um jogo.
Essa mudança de perspectiva me leva a ter uma atitude mais afirmativa, mais leve e menos solene em relação ao que significa auto-superação, já que não vejo a disciplina como uma tábua de salvação, nem os obstáculos a serem superados como forças superiores às minhas próprias.
Praticar tapas, nesse contexto, torna-se uma atividade estimulante e desafiadora, independentemente do tipo de prática que estivermos fazendo, pois nasce da motivação e do foco no objetivo primordial, que é a possibilidade de conhecer a si mesmo como alguém livre de quaisquer limitações e, portanto, pleno e feliz.
Quando esse meu objetivo não está suficientemente claro, perco com facilidade o foco e a concentração, e o tapas se dilui. Se não souber exatamente o que busco com a prática, naturalmente a motivação se perde e, distraidamente, buscarei outra atividade mais “estimulante”.
 Pranayama e surf.
Gosto de ver o tapas como um desafio-brincadeira, no sentido que, como praticante, eu poderia escolher, ou não, realizar uma determinada ação. Por exemplo, numa prática de pranayama (respiratórios), temos a possibilidade de reter o ar. “Vamos ver o que acontece se permaneço mais alguns segundos com os pulmões cheios, antes de expirar”, pode propor o praticante para ele mesmo.
Expandir a prática neste caso seria, usando o bom-senso, observar os limites reais da capacidade pulmonar e realizar a ação de superar o padrão respiratório mecânico ou vegetativo, mas sempre com o cuidado de não se violentar. Nesse sentido, cabe lembrar que, com toda a importância que otapas possa ter ele é, fundamentalmente, uma expressão de ahimsa, a não-violência, que é a regra de ouro e o pilar de todas as práticas do Yoga, dentro ou fora da sala.
O mesmo acontece noutras situações da vida real. Um surfista, naturalmente, começa sua relação com o mar escolhendo ondas não muito fortes, que sejam, digamos assim, “gerenciáveis” pelas suas próprias forças e habilidades. Com o tempo e a repetição vem a experiência. Com a experiência vem a confiança e, junto com ela, a capacidade de investigar e expandir os limites, indo para além daquilo que, por exemplo, o medo pode nos indicar como sendo o tamanho limite de uma ondulação que escolhemos surfar.
Assim, ao completar de maneira bem sucedida uma onda, o surfista pensa: “bom, se não caí nesta, posso escolher outra um pouco maior ou um pouco mais cavada”. Não obstante, se ele se deixar dominar pelo medo, não irá se dar a chance de investigar e expandir aquilo que sua crença limitante possa estar lhe mostrar como sendo o limite.
 Ousadia.
Na Antiguidade, Colunas de Hércules era o nome dado aos dois promontórios a ambos os lados do  Estreito de Gibraltar, que separavam o então familiar mar Mediterrâneo do ignoto e potencialmente perigoso Oceano Atlântico. Sobre elas, Hércules, o herói grego, hasteou uma bandeira com a frase non plus ultra, que significa “não [ir] mais além”, indicando que aquele era o fim do mundo e que ninguém deveria ousar investigar o que havia depois daquele ponto. O Imperador Carlos V, depois da descoberta do Novo Mundo, colocou no escudo da Espanha uma modificação dessa frase que era um sinal dos tempos novos que haviam começado, bem como da expansão das fronteiras do mundo conhecido: plus ultra, ou “mais além”.
Talvez o surfista possa ultrapassar os limites impostos por seus medos e descobrir possibilidades impensadas dentro do mar. Talvez exista um mundo inteiro para ser descoberto dentro de você mesmo, tendo o tapas como guia e a liberdade como objetivo. É só uma questão de tentar, e estar disposto a crescer através e para além das próprias fraquezas. 

Boas práticas!
Namaste!
Publicado originalmente na revista Prana Yoga Journal: www.eyoga.com.br 
imagem: Google

    terça-feira, 5 de julho de 2016

    PRÁTICA FIRME - Yoga pode melhorar o bem-estar de sobreviventes de derrame (Joelle Hann)

    Dois meses de Yoga, praticado duas vezes na semana com um yogaterapeuta, pode melhorar o equilíbrio e a pressão arterial de vítimas de derrame, segundo novo estudo patrocinado pelo Departament of Veterans Affairs nos EUA. 
    Os pacientes do estudo, que fizeram posturas, técnicas de relaxamento e meditação por oito semanas, estavam céticos de início, diz a coordenadora da pesquisa Arlene A.Schmid.
    Ao final, quando a maioria dos participantes mostrou melhoras significativas no equilíbrio e menos medo de cair, "eles falavam como todo mundo deveria fazer yoga," ela diz.

    Pílula publicada na, hoje extinta, Yoga Journal Brasil - mar/abr 2014
    Forte abraço! Namaste

    quarta-feira, 17 de junho de 2015

    Encontro junho Gerar ConsCiência

    Com certeza você já ouvir falar sobre "Parto Humanizado" e o quanto algumas mulheres/casais vem fazendo essa escolha para trazer seu bebê ao mundo. Mas afinal, o que é um Parto Humanizado? É um tipo de parto? Tem que ser na água? Só pode ser domiciliar? Sem anestesia?
    Vamos conversar sobre essas e outras dúvidas dia 25/06 (quinta) às 19:30 no Espaço Papo de Yoga - Pindamonhangaba.

    Mais informações:
    Este encontro acontece todas as últimas quintas feiras do mês, aqui na nossa sala!
    Tudo de bom!
    Forte abraco🙏🏻❤️
    Namaste.

    quarta-feira, 11 de março de 2015

    Trecho da entrevista de Gloria Arieira na YJ, ano de 2012*******Autoconhecimento/Vedanta e Yoga

    (...)
    Qual seria o maior obstáculo para uma pessoa interessada no autoconhecimento e como superá-lo? (Jonas Masetti)
    (Glória) O primeiro obstáculo é não discernir o que você está buscando.
    Fora isso, um obstáculo é a prática de dispersão da mente, porque a nossa sociedade leva a nos distrair muito, e temos pouca paciência. Essa mente que se distrai e quer tudo rápido é um obstáculo para o momento presente.
    Temos de ter paciência e viver o presente tal como ele é. Os obstáculos estão na mente. Na época em que comecei, esse conhecimento quase não era disponível. Agora é, mas não temos tempo nem espaço na mente para isso.

    Qual a relação entre os vedas, o vedanta e a pratica de Yoga(asanas/posturas)? (Jonas Masetti)
    Onde o Yoga e o Vedanta se encontram? (Marcio Assumpção e Rosangela Bassoli)
    (Glória) Yoga e Vedanta estão nos Vedas.

    segunda-feira, 10 de novembro de 2014

    Estudo do livro...

    Na nossa sala tem acontecido o estudo do livro, trata-se de nos reunirmos duas vezes no mês, aos sábados para estudarmos juntos o livro "Autobiografia de um Iogue" do querido Paramahansa Yogananda.
    Tem sido momentos maravilhosos, já que nosso professor e mediador é o Clovis, um apaixonado por este livro e Guru, apaixonado e estudioso, tira lições barbaras e inimagináveis para uma leitura solitária.

    O próximo encontro será no sábado dia 15 de novembro, sempre as 8h30 e sempre aqui no nosso espaço de prática.
    Estamos nos capitulos 10: Encontro meu mestre, Sri Yuktéswar e 11: Dois jovens sem dinheiro em Brindában.


    Se voce ainda não tem o livro, ele está disponível também em arquivo pdf na Internet...mas se voce não conseguir ler até o dia, não se preocupe, as lições dos comentários são de uma riqueza que vale demais sua presença.

    "Um diamante terá o menos valor só por estar coberto de lama? 
    Deus vê a beleza imutável da sua alma.
    Ele sabe que nós não somos os nosso erros."
    Paramahansa Yogananda

    Venha e seja muito bem vindo!
    Forte abraço!
    Namastê.


    sexta-feira, 8 de novembro de 2013

    Saber quem você é - Paz no dia a dia 3/8 (Prana Yoga Journal - maio 2009)

    Acredito que a única coisa que pode nos dar paz, mas paz verdadeira e duradoura, é sermos capazes de saber quem somos e o que estamos fazendo aqui.
    O Yoga nos ensina que somos fabricados de paz. Essa paz, em sânscrito, chama-se shantah.
    Não é um sentimento ou uma emoção, não é aquela sensação de tranquilidade que ora vem, ora vai, e que é substituída pelo seu oposto, o nervosismo ou a tensão.
    Shantah é Paz com maiúscula, contínua e sólida.
    Essa paz precisa ser conhecida para ser devidamente apreciada. O caminho para a paz chama-se autoconhecimento.
    Quando conheço a mim mesmo como paz, nada que aconteça no mundo das dualidades poderá me tirar do centro. Ou, se alguma situação me tirar do centro, volto para ele com rapidez e flexibilidade, como o bambu que se enverga com o vento e que volta a ficar em pé quando este cessa.
    Pedro Kupfer, autor e tradutor de vários livros e editor do www.yoga.pro.br
    imagem daqui

    terça-feira, 13 de agosto de 2013

    Reflexão



    "Milhões de pessoas nunca analisam a si próprias. mentalmente, são produtos mecânicos da fábrica do ambiente em que vivem, preocupadas com o café da manhã, almoço e jantar, trabalhando, dormindo, indo daqui para ali para se divertirem. 
    Elas não sabem o que, nem por que estão procurando, e tampouco compreendem por que jamais encontram felicidade perfeita ou satisfação duradoura. 
    Esquivando-se da auto-análise, permanecem como robôs, condicionadas pelo seu meio. 
    A verdadeira auto-análise é a melhor arte do progresso."
    Trecho do livro “A Eterna Busca do Homem“, volume 1, capítulo “Auto-análise: Chave para Dominar a Vida“, do sábio yogue Paramahansa Yogananda (1893-1952)

    terça-feira, 23 de julho de 2013

    "Quero unir-me a ti"


    "Pouco depois de minha cura, graças à luz que se projetou através da fotografia de Láhiri Mahásaya, tive uma visão de grande influência espiritual.

    Sentado em meu leito, certa manhã, absorvi-me em profunda concentração.

    - Que há por trás da obscuridade dos olhos? - Este pensamento inquiridor me avassalou a mente. Imensa luz manifestou-se instantaneamente em minha visão interna. Divinas figuras de santos, sentados em posição de lótus, em cavernas de montanhas, alinhavam-se, como imagens de um filme em miniatura, na grande tela de radiações surgida tio interior de minha testa.

    - Quem sois? - perguntei em voz alta.

    quarta-feira, 17 de julho de 2013

    Você só precisa de 3 coisas para praticar yoga - DIANNE BONDY

    Yoga está crescendo aos trancos e barrancos. Recentemente nos Estados Unidos, Yoga foi adicionada ao currículo escolar. Isto é incrível. Esta é uma oportunidade para ensinar as crianças a gerir eficazmente o stress de ser crianças. Crescer é um momento estressante. Vivemos em uma época onde estamos constantemente conectados, mais programados e muito ocupados. Não sei como desligar.
     Acho que yoga vai ser ótimo para ensinar as crianças a estarem atentas, atenciosas e gentis com os outros. Yoga vai nos ensinar a importância do silêncio. Yoga não é uma religião. Yoga é uma maior compreensão de nós. Yoga é uma viagem de auto-descoberta  e de como ser  mais hábil. A escola é o lugar perfeito para começar essas lições de vida e quanto mais cedo, melhor.
    Eu nunca me lembro de ter sido ensinada como respirar ou gerir o meu próprio estresse de ser um estudante e o estresse de crescer e tentar pertencer. Se todos nós formos ensinados a amar a nós mesmos o mundo poderia ser um lugar mais feliz.
    Yoga pode ser a ferramenta para eliminar o bullying.

    Eu me pergunto o que poderia acontecer se todos nós seguirmos os ensinamentos de yoga, compaixão, não-violência, aceitação, auto-estudo e amor.

    segunda-feira, 22 de abril de 2013

    Para que serve um Workshop de Yoga? - Leonor Castilho



    Como é que se aprende Yoga? 
    Praticando Asanas, mais tarde acrescentando Pranayama e aos poucos indo integrando na pratica todos os patamares do Yoga.
    Iniciamos o percurso com duas aulas por semana, depois começamos a praticar também em casa, pouco a pouco, diariamente; este processo da prática pessoal demora muito tempo a consolidar-se. Lembro-me de quando iniciei o Yoga chegar a casa e tomar nota de tudo o que tinha feito, quais as asanas e qual a sequência,  para depois a poder experimentar sozinha por minha conta, com tempo para repetir e experimentar de novo.

    O Primeiro Workshop de Yoga
    Quando comecei a praticar Yoga, em 93, logo nesse primeiro ano, participei em um fim de semana de yoga, com um Mestre convidado.
    Foi um pouco deslumbrante para mim....conheci mais pessoas que falavam a minha linguagem e tinham os mesmos interesses.....Achei-me um “bicho menos raro”. E percebi melhor algumas coisas que eram ditas nas aulas e que, às vezes, não me faziam sentido.

    Desde então, sempre procurei aprofundar os meus conhecimentos de Yoga. E todos os anos lá rumava por uma semana, para algum local (infelizmente fora do meu País) onde um professor conceituado ensinava aquilo que eu tanto queria saber e que me parecia necessitar de uma aprendizagem por tempo ilimitado.

    Mas quanto mais aprendia, para além de melhor perceber a minha ignorância, mais eu me interessava pelo assunto e mais tinha a certeza de que “várias vidas” serão precisas para algum conhecimento verdadeiro. Ao mesmo tempo, pensava que, assim sendo, “não há tempo a perder, tenho de filtrar a informação, criar prioridades e segui-las e aprofundar o “tema” de imediato".