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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Livro: Entre as orelhas - Historias de parto (Ricardo Jones)

Um trecho...
"- O parto é algo que acontece entre as orelhas, me repetia Max o  velho adágio das parteiras. Não o procure nas fibras uterinas, nas protuberâncias ósseas, nas contrações ou nas variações dos hormônios. Ele se encerra nos pequenos grãos de areia dos nossos sonhos, na bruma de palavras dispersas de um passado distante. Ele se refugia nos sussurros de uma menina, na curiosidade infindável que ela carrega e no seu olhar insaciável. O parto e seus mistérios se escondem ao olhar superficial, à analise tímida e ao investigador amedrontado. Para entender o que comanda, é preciso penetrar nos abismos obscuros da alma de uma mulher, lá onde se abrigam seus sonhos, seu desejos, suas fantasias e suas tristezas. Quanto mais profundamente mergulhamos, mais nebulosa será nossa jornada. Entretanto, apenas uma suposição, a chave para essa questão esteja mesmo ligada a essa fissura aberrante na ordem natural, a qual chamamos amor. E talvez, outra mera suposição, para entender o que acontece entre as orelhas de uma mulher, somente se soubermos como encontrar esta chave."(pag.69)

O paragrafo acima descreve, finalmente, o motivo pelo qual eu quis iniciar o processo de "vir a ser" DOULA, tentar ser aquela pessoa que vai contribuir pra que a mulher que quer ser protagonista do seu parto, o seja.
Este encanto, esta força, este estimulo para o órgão que é essencial para que a mulher chegue realmente no seu parto, conforme planejou desde que se descobriu gestando...o cérebro.
Claro que muitas variantes estão entre estes dois extremos, muitas variantes e muitos personagens, porém como o Dr. Ricardo fala acima, o ingrediente principal se encontra no intimo desta mulher e somente mergulhando profundamente conseguiremos encontrar a semente para entender o que acontece entre as orelhas desta mulher...e assim, creio sinceramente, trazer a tona a concretização e o resgate através do parto "buscado" e encontrado efetivamente.
Então a possibilidade de contribuir com meu jeito de conversar de me intimizar com as pessoas, sim..intimizar=tornar intimo, mais amigo, sou assim, instintivamente e finalmente posso colocar este talento (que é natural em mim, sem controle mesmo) a serviço  do próximo, a serviço de mim :-)
Fui buscar a qualificação e me deparo com tanto amor, tanta prontidão das mulheres envolvidas que me comovo...é assim que vejo através destas minhas lentes que chamo de olhos e desta maquina de transformar que chamo de cérebro.
Nesta qualificação descubro que apesar da doula não fazer nenhum procedimento médico (não mesmo) ela tem de saber tudo sobre o momento do parto, muita responsabilidade gente, porque a doula é aquela pessoa de confiança, a voz da gestante na hora do auge do trabalho do parto e do parto, ou seja, não basta só saber ser amigo e de confiança.
Tudo isto que estou escrevendo, é pra dizer que este livro me respondeu as perguntas que tenho feito, desde que descobri este mundo de parto humanizado e de doulagem, que ainda estou engatinhando, mas que quero muito seguir em frente pois a presença da doula no parto, conforme pesquisas traz os seguintes vantagens:
  • Diminui o uso do fórceps em 40%
  • Diminui a incidência de infecção
  • Diminui insegurança da mãe, ocasionando um maior autocontrole e menos dor
  • Reduz do risco da depressão pós-parto
  • Sucesso na amamentação

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Trecho do livro: Asanas e Parábolas****fruto do yoga

(...)Considera-se que Shiva inventou 84 asanas básicos para ajudar as pessoas a purificar o corpo e prepara-lo para a meditação. Esse tipo de yoga é chamado de hatha yoga, que significa um yoga que envolve energia e determinação. Ouvi o instrutor de yoga Ramanand Patel explicar o hatha yoga desta maneira:

"Pense em uma criança de 4 anos de idade que está determinada a não deixar você levantá-la. Você a ergue, e ela enrijece o corpo; grita, esperneia, não para de lutar com você, mas ela não desiste".
Isso, disse Ramanand, é a qualidade de hatha. Essa qualidade, aplicada à disciplina física, nos prepara para a disciplina mental e espiritual da meditação, o raja (régio) yoga.
Quem pratica yoga sabe que esta prática envolve todo o ser. Não é possível separar, de maneira cirúrgica, a mente do corpo; o que se faz com o corpo afeta a amente, as emoções, os neurônios e a química do corpo. Mas ninguém diz: "Ah, consegui reduzir a acidez e meus gases sanguíneos!",

quarta-feira, 12 de março de 2014

Trecho do livro Luz na vida de BKS Iyengar (Purusa e Prakiti)

(...) Em sanscrito, a palavra é purusa, que pode ser traduzida por Alma Cósmica ou Universal. O termo "alma" carrega tantas conotações religiosas que as pessoas costumam aceitá-lo ou rejeitá-lo sem mais reflexão.
Elas se esquecem de que se trata apenas da palavra que usamos para nos referir a uma realidade permanente. Esta, embora lógica, não passa de um mero conceito para a mente, até que a experimentemos concretamente dentro de nós.
Com razão associamos essa realidade permanente ao amor altruísta, que se baseia na percepção da unidade, não da diferença. A força do amor de uma mãe provém de sua unidade com a criança. Na unidade não há posse, já que a posse é um estado dual: abrange eu e o outro.
A Alma é imutável, eterna, constante; é sempre uma testemunha, enraizada na origem divina e na unicidade. Toda prática da ioga visa explorar a relação entre prakiti e purusa, entre a Natureza e a Alma. Retomando nossa imagem inicial, trata-se de aprender a viver entre o céu e a terra. Essa é a provação humana, nossa alegria e nosso infortúnio, nossa salvação e queda.
Natureza e Alma se misturam. Alguns dizem que são casadas. É pela prática correta de ásana e pranayama, e dos outros membros da ioga, que o praticante (sadhaka) experimenta a comunhão e a conexão entre elas. Para uma pessoa comum, o casamento da Natureza com a Alma pode parecer cheio de disputas e incompreensão mútua. Porém, quando há comunhão, elas se aproximam para alcançar uma união abençoada.
Essa união remove o véu da ignorância que encobre a inteligencia.
Para atingi-la, o sadhaka precisa olhar para dentro e ara fora da estrutura da Alma, o corpo. Ele precisa entender uma lei fundamental; do contrário, continuará preso aos grilhões da Natureza e a Alma continuará sendo um mero conceito. Essa lei diz que tudo que existe no macrocosmo existe também no microcosmo, ou individuo. (pag.37)

Forte abraço!
Namastê _/\_

terça-feira, 23 de julho de 2013

"Quero unir-me a ti"


"Pouco depois de minha cura, graças à luz que se projetou através da fotografia de Láhiri Mahásaya, tive uma visão de grande influência espiritual.

Sentado em meu leito, certa manhã, absorvi-me em profunda concentração.

- Que há por trás da obscuridade dos olhos? - Este pensamento inquiridor me avassalou a mente. Imensa luz manifestou-se instantaneamente em minha visão interna. Divinas figuras de santos, sentados em posição de lótus, em cavernas de montanhas, alinhavam-se, como imagens de um filme em miniatura, na grande tela de radiações surgida tio interior de minha testa.

- Quem sois? - perguntei em voz alta.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Efeito das asanas - Livro: A luz da yoga, BKS Iyengar

A prática errônea causa desconforto e incomodo em poucos dias. Isso basta para mostrar que você está no caminho errado. Se você não descobrir o erro sozinho, é melhor consultar uma pessoa experiente.
O método certo de executar as asanas traz leveza e ótima disposição tanto para o corpo como para a mente e uma sensação de união do corpo, da mente e da alma.
A prática contínua afetará profundamente o praticante. Vai levá-lo a se disciplinar quanto à alimentação, ao sexo, à higiene e ao caráter; torna-se-á uma nova pessoa.

domingo, 25 de novembro de 2012

Luz na prática diária - Orações invocatórias

"Peço que todos vocês recitem a oração a Patañjali no inicio das aulas. Se não puderem fazê-lo em sânscrito, recitem a tradução. Dessa maneira, invocaremos a presença de Patañjali no momento da prática. Recitamos tal oração pelo simples motivo de considerá-lo nosso guru na ioga. Esse grande sábio nos deu a gramática para a fala correta, a medicina para a saúde e a ioga para a cultura da mente. Quando estamos em nosso sadhana de ioga, devemos pensar nele e prestar-lhe nossos respeitos para que nossa mente esteja em sntonia com o sbons pensamentos de seu trabalho."


Invocação a Patañjali
Yogena cittasya padena vacam
Malam Sarirasya ca vaidyakena
Yopakarottam pravaram muninam
Patanjalim pranjaliranatosmi

Abahu purushakaram
Shankha chakrasi dharinam
Sahasra sirasam svetam
Pranamami patanjalim

"Ao mais nobre dos sábios, Patañjali,
que nos deu a ioga para a serenidade da mente,
a gramática para a pureza da fala
 e a medicina para a saúde do corpo, eu me curvo.
Eu me ajoelho ante Patañjali,
cujo parte superior do corpo possui forma humana,
cujos braços seguram uma concha e um disco,
e que é coroado por uma cobra de mil cabeças.
Oh, encarnação de Adisesa,
minha saudações a Vós." 
  P. O senhor poderia falar um pouco sobre o significado de cada um dos seguintes símbolos: a concha, o disco, a cobra e o torso humano? "Como a concha pode ser soprada, ela representada uma espécie de aviso se algum perigo interferir, como espíritos malignos ou doenças, enquanto o disco indica que é possível destruir os pensamentos ruins, os espíritos malignos ou as doenças. Asi significa espada. Em uma mão, ele segura a espada do conhecimento para destruir a ignorância. Na outra ele abençoa os que praticam ioga. Em outro aspecto, ele une as palmas das mãos e saúda o assento do antaratman - o Deus. simbolicamente mostrando que, por meio da ioga, alcançamos Deus."   P. E a cobra? "Você sabe que é a cobra que segura a Terra. Ela é protetora do universo. No Hathayoga Pradipika, a primeira estrofe do terceiro capítuo afirma: 'Ananta, o Deus das Serpentes, sustenta a Terra com suas montanhas e serpentes; da mesma forma, kundalini - a energia da serpente - é o sustentáculo principal de todas as práticas de ioga[...]" Desde a antiguidade, quase todas as religiões cultuaram o Deus Serpente. Toda mitologia possui alguma espécie de culto á serpente. Havia a crença de que as cobras não morriam, mas largavam a pelo dela e emergiam renovadas. Essa eternidade das cobras tornou-se  simbólica. Essa qualidade imemorial das serpentes é chamada de ananta - sem fim. A cobra é símbolo de ternidade, fertilidade e regeneração. É um simbolo de sabedoria, também. Ela é associada com os feitos bons e maus do homem, não é? Todas as religiôes dizem que precisamos dominar as tormentas emocionais. como luxúria, ambição, ira, malícia e por aí vai. A cobra é venenosa, mas seu venenosos. Precisamos converter nossa natureza e desenvolver as qualidades opostas. como calma, controle da continência, amor, satisfação etc."   P. E o quarto símbolo é o torso humano. "Você deve ter ouvido falar da história do nascimento de Patañjali. Ele era um verme que assumiu froma humana, e sua mãe, Gaunika, era virgem, assim como Maria. Isso indica o processo de evolução, a forma como se pode progredir de uma pequena criatura para um ser humano. É o crescimento e a expansão da inteligência. Essa cabeça na forma humana serve para explicar a essência da ioga." Livro: A sabedoria e a prática da ioga - BKS Iyengar - pág.88/89   Entre "aspas" respostas do Guruji :) Forte abraço!!! Namaskar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Estudar e ensinar



Havendo ensinado os Vedas, o professor instrui o estudante:
Fale a verdade. Pratique o dharma. Não negligencie o estudo.
Leve um presente aceitável para o professor
e não interrompa a linha da progênie.
Não seja negligente com a verdade.
Não seja negligente com a virtude.
Não seja negligente com a riqueza.
Não seja negligente com a prosperidade.
Não seja negligente com o estudo e o ensino.
Retidão, e também estudar e ensinar.
Veracidade, e também estudar e ensinar.
Austeridade, e também estudar e ensinar.
Auto-controle, e também estudar e ensinar.
Serenidade, e também estudar e ensinar.
O fogo do altar, e também estudar e ensinar.
O ritual do fogo, e também estudar e ensinar.
Hóspedes, e também estudar e ensinar.
Humanidade, e também estudar e ensinar.
Descendência, e também estudar e ensinar.
Procriação, e também estudar e ensinar.
Taittiriya Upanishad.
(publicado originalmente no site http://www.yoga.pro.br/ )
ilustração: http://kuviamatkalta.blogspot.com/