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terça-feira, 27 de março de 2012

7/15 – Alegria, alegria

Um dos objetivos do yoga é conseguir cessar o fluxo continuo de pensamentos, que faz com que percamos o foco do que realmente é importante. “Quando atingimos esse estado, é possível sentir durante alguns segundos uma indescritível sensação de felicidade”, constata a professora paulista Ana Borella. “É um estado de contentamento que não depende de fatores externos ou de outra pessoa e está intimamente relacionado com a paz interior e com a alegria do praticante.”

Bons Fluidos – maio/2009

Gosto muito de contar o que aconteceu e acontece comigo, acho que o que mais vale é a experiência, seus momentos, sua “experimentação”...
Quando comecei a praticar yoga em um clube aqui de Pinda, não conseguia ir a noite e então optei por fazer de manhazinha, as 6:30h da manhã....Isto mesmo: as 6:30 da “matina”.
Eu acordava meio preguiçosa, deixava tudo arrumado e saía 6:10h de casa (interior né?!?) chegava na aula, ainda um pouco preguiçosa mas cheia de boa vontade.
Lá estava a Professora Débora Rey, hoje minha amiga super poderosa, e mais “meia dúzia de gato pingado” presentes – uns quatro ou cinco alunos, tah, as vezes três só...rsrs – A hora não ajudava muito, mas ainda acho o melhor horário.
Praticava sob a batuta maravilhosa da Deh, contava uns mantras e ia direto para o trabalho...com uma alegria no coração que não me deixava parar de cantar os mantras ou outro tipo de canção enquanto me dirigia para o trabalho.
E, sabem? Achava que era alegria de estar fazendo algo por mim, alegria de estar praticando yoga, conseguindo abrir este espaço pra minha pessoa...afinal: eu havia me achado e estava cuidado de mim.

Hoje entendo, não eram só estes os motivos essenciais, mas, era o efeito contentamento da pratica, nestes momentos consigo cessar o fluxo de pensamentos e sentimentos externos e é tão bom estar em minha companhia, é tão bom se conscientizar que posso separar o joio do trigo e melhor ainda: O TRIGO, neste caso, FICA DENTRO DA GENTE!

Também tenho que registrar aqui que já pratiquei em alguns workshops com a Professora Ana Borella que fala acima no comentário – a ela muito respeito, consideração e gratidão.

Com o tempo e pratica você passa a saber, a ter certeza, que a felicidade está dentro mesmo – não é força de expressão.
“Yoga é a chave de ouro com a qual destrancamos a porta para a paz, tranquilidade, e alegria.” B.K.S. Iyengar
E a alegria continua...e ainda vicia, muito bom!
Vamos praticar?
Forte abraço.
Namaskar.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tempos de espera (trecho do livro) - Pe. Fabio de Melo


Eles são submissos. Mas não há sofrimento nesta submissão.
A sabedoria vegetal os conduz a uma forma de seguimento surpreendente.
Fidelidade incondicional que os determina no mundo, mas sem escravizá-los.
A lógica é simples. Não há conflito naquele que está no lugar certo, fazendo o que deveria.
É regra da vida que não passa pela força do argumento, nem tampouco no aprendizado dos livros.
É força natural que conduz o caule, ordenando e determinando que a rosa realize o giro, toda vez que mudar a direção do Regente.
Estão mergulhados numa forma de saber milenar, regra que a criação fez questão de deixar na memória da espécie. Eles não podem sobreviver sem a força que os ilumina.
Por isso, estão entregues aos intermitentes e místicos movimentos de procura.
Eles giram e querem o sol. Eles são girassóis.
Deles me aproximo. Penso no meu destino de ser humano.
Penso no quanto eu também sou necessitado de voltar-me para uma força regente, absoluta, determinante. Preciso de Deus. Se para Ele não me volto corro o risco de me desprender de minha possibilidade de ser feliz. É Nele que meu sentido está todo contido.
Ele resguarda o infinito de tudo o que ainda posso ser. Descubro maravilhado.
Mas no finito que me envolve posso descobrir o desafio de antecipar no tempo, o que Nele já está realizado.
Então intuo. Deus me dá aos poucos, em partes, dia a dia, em fragmentos.
Eu Dele me recebo, assim como o girassol se recebe do sol, porque não pode sobreviver sem sua luz.
A flor condensa, ainda que de forma limitada, porque é criatura, o todo de sua natureza que o sol potencializa.
O mesmo é comigo. O mesmo é com você.
Deus é nosso sol, e nós não poderíamos chegar a ser quem somos, em essência, se Nele não colocarmos a direção dos nossos olhos.
Cada vez que o nosso olhar se desvia de sua regência, incorremos no risco de fazer ser o nosso sol, o que na verdade não passa de luz artificial.
Substituição desastrosa que chamamos de idolatria.
Uma força humana colocada no lugar de Deus.
A vida é o lugar da Revelação divina.
É na força da história que descobrimos os rastros do Sagrado.
Não há nenhum problema em descobrir nas realidades humanas algumas escadarias que possam nos ajudar a chegar ao céu.
Mas não podemos pensar que a escadaria é o lugar definitivo de nossa busca.
Parar os nossos olhos no humano que nos fala sobre Deus é o mesmo que distribuir fragmentos de pólvora pelos cômodos de nossa morada.
Um risco que não podemos correr.
Tudo o que é humano é frágil, temporário, limitado. Não é ele que pode nos salvar.
Ele é apenas um condutor.
É depois dele que podemos encontrar o que verdadeiramente importa.
Ele, o fundamento de tudo o que nos faz ser o que somos.
Ele, o Criador de toda realidade. Deus trino, onipotente, fonte de toda luz.
Sejamos como os girassóis...
Uma coisa é certa. Nós estamos todos num mesmo campo.
Há em cada um de nós uma essência que nos orienta para o verdadeiro lugar que precisamos chegar, mas nem sempre realizamos o movimento da procura pela luz.

Sejamos afeitos a este movimento místico, natural.
Não prenda os seus olhos no oposto de sua felicidade.
Não queira o engano dos artifícios que insistem em distrair a nossa percepção.
Não podemos substituir o essencial pelo acidental.
É a nossa realização que está em jogo.
Girassol só pode ser feliz se para o Sol estiver orientado.
É por isso que eles não perdem tempo com as sombras.
Eles já sabem, mas nós precisamos aprender.


Forte abraço.
Namastê :)